Veja quem é quem nos casos de procedimentos estéticos irregulares no RJ Veja quem é quem nos casos de procedimentos estéticos irregulares no RJ
A prisão de Patrícia Silva dos Santos, nesta segunda-feira (6), é mais um capítulo dentro das investigações de procedimentos estéticos irregulares no RJ. O drama das... Veja quem é quem nos casos de procedimentos estéticos irregulares no RJ

prisão de Patrícia Silva dos Santos, nesta segunda-feira (6), é mais um capítulo dentro das investigações de procedimentos estéticos irregulares no RJ. O drama das vítimas começou a vir à tona no dia 15 de julho, quando o Dr. Bumbum, horas depois da morte de sua cliente Lilian Calixto.

Denis Furtado fez relativa fama com vídeos narcisistas e autopromoção de seus feitos nas redes sociais. Enaltecia a “bioplastia” e mostrava sem cerimônia fotos de “antes e depois”, sobretudo no Instagram, onde tinha meio milhão de seguidores.

No dia 14 de julho, atendeu Lilian Calixto na cobertura dele, na Barra da Tijuca. A bancária desejava aumentar os glúteos e aceitou a recomendação de uma amiga, também paciente de Denis. O Dr. Bumbum supostamente aplicou em Lilian doses de PMMA, sigla para polimetilmetacrilato ou metacril, e a bancária passou mal.

O taxista que levou Lilian à residência de Denis é considerado pela polícia a testemunha-chave do caso. O motorista também tinha sido indicado pela amiga da bancária e estranhou quando a passageira parou de dar notícias, quase dez horas após chegar à cobertura. O taxista viu quando Lilian, já passando mal, saiu do prédio amparada por Denis – ao lado da namorada e da mãe dele – a caminho do hospital. E contou à amiga de Lilian assim que soube da morte da bancária, de parada cardiorrespiratória.

A polícia foi acionada e montou cerco para prender Denis, mas o Dr. Bumbum conseguiu fugir – para tal, chegou a destruir a cancela na saída de um shopping na Zona Oeste. Passou quatro dias foragido e foi preso quando negociava a rendição, dia 19 de julho.

Nega ter causado a morte de Lilian, mas registros de câmeras e do hospital não batem com o que alega em depoimento.

Depois da repercussão do caso, outras vítimas de Denis procuraram delegacias em todo o Brasil para prestar depoimento contra o médico.

Alvo da Operação Roleta Russa, ao lado de Paty Bumbum (leia mais abaixo), Valéria se apresentava como biomédica e fazia aplicações em hotéis, reservados por integrantes de sua equipe.

Uma de suas clientes, a modelo Mayara veio da Dinamarca para retocar o corpo. Mayara contou que a aplicação seria com silicone industrial. O procedimento foi feito em um hotel no Recreio dos Bandeirantes, no dia 20 de julho.

Imagens de câmeras de segurança mostram Mayara chegando bem e sorridente ao hotel. Na saída, já estava passando mal.

Policiais não a encontraram em casa, em Vargem Pequena, Zona Oeste do Rio. Entre o material apreendido, havia munição. À polícia, parentes alegaram que ela estava viajando.

Conhecida pelo apelido nas redes sociais, Patrícia tinha sido presa pela primeira vez no dia 25 de julho, na esteira das denúncias que surgiram com o escândalo do Dr. Bumbum. Não é formada em medicina, mas aplicava silicone industrial em pacientes.

Paty Bumbum respondia em liberdade por exercício ilegal da profissão até esta segunda-feira (6), quando voltou a ser presa. Desta vez, por suspeita de formar organização criminosa e de participar da morte de Mayara.

Em áudios atribuídos a Patrícia, que viralizaram na internet, a mulher comenta a morte da bancária Lilian Calixto. Na gravação, ela diz que entende os riscos, mas disse que a mulher morreu “fazendo o que queria e não morreu feia”. E dá a entender que defende Denis.

“Todo ano morre alguém fazendo alguma p*rra de estética. Pelo menos a gente morre fazendo o que a gente quer e não morre feia. Vamos parar com essa palhaçada, deixa o cara. A mulher já morreu, ela que procurou ele. Ele não bater na porta de ninguém não. É igual a vocês quando vocês me procuram. Aqui no grupo, eu não falo para ninguém que sou médica. Não engano ninguém. Quando me procuram sabem do risco. Quando vem me perguntar ‘tem risco?’. Eu respondo ‘tem todos’. Eu nunca menti”, diz a gravação.

Seis de suas clientes prestaram depoimento. Duas delas, segundo a delegada Daniela Terra, apresentavam lesões aparentes no corpo. Uma teve trombose em 2016, e outra começou a mancar devido a fortes dores na perna três meses após fazer a intervenção estética.

Geysa já respondia a três processos cíveis por erro médico em procedimentos estéticos quando atendeu a pedagoga Adriana, moradora de Paracambi, que morreria dias depois do procedimento, com falta de ar, e uma jovem de 23 anos cujo intestino foi perfurado. A médica realizava os procedimentos em sua clínica em Niterói, onde não há centro de tratamento intensivo ou ambulância.

A própria Geysa, em áudio divulgado nas redes sociais, comentou o incidente com Adriana.

“Eu venho aqui hoje dar uma notícia muito chata, que em 23 anos de formada eu nunca tive. Eu fiz lipo de uma paciente, na segunda-feira, dia 16. Uma moça de 41 anos, dois filhos, saudável, sem doença alguma. No domingo, o marido me disse que às quatro horas da manhã ela levantou para ir no banheiro. Quando voltou, caiu. Caiu dura. Caiu morta. Teve uma morte súbita”, diz.

Dois dias após atender Adriana, Geysa recebeu outra paciente para uma lipo. Durante o procedimento, a jovem teve o intestino perfurado e foi internada no Hospital Cardoso Fontes, na Zona Oeste do Rio.

Em conversas com Geysa por mensagens de celular, a paciente reclamou que, mesmo tomando os medicamentos indicados, continuava com muita secreção. “Falei para ela que estava saindo uma secreção. Eu estava muito inchada, ela me receitou vários antibióticos, vários remédios. Voltei para casa com o alívio de algumas horas, mas logo depois começou a doer de novo, começou a inchar de novo”, disse.

Em outra mensagem, a mulher contou que o caso é sério e que os alimentos que ela ingeriu estavam saindo pela cicatriz. “Eu comi uma sopa no dia anterior que continha tomate e agrião. Estava saindo muita secreção e nessa secreção saiu agrião e tomate. Mandei as fotos para ela.”

Em seguida, a médica respondeu com uma mensagem de áudio. Rindo, ela diz para a paciente “provar” a secreção. “Amore, eu acho que você devia comer pra ver se é verdade, pra ver se é tomate, se é cenoura, porque isso aí pra mim é gordura. Me desculpe, mas não fale besteira, que quanto mais besteira você pensar, pior, você vai ficar estressada. E me estressar à toa”, disse Geysa no áudio. E emenda: “Se eu tivesse perfurado alguma coisa, você já tinha morrido.”

No dia 30 de julho, Gabriela passou por cirurgia em que foi retirado um quinto do intestino delgado. No mesmo dia, a médica admitiu um acidente no procedimento. “Na lipo, não teve perfuração alguma. O que aconteceu foi uma perfuração, sim, mas por causa de uma hérnia da época que ela teve apendicite. Então, quando eu soltei aquela cicatriz, eu belisquei, eu peguei uma alça intestinal que tava ali… que estava tava no caminho errado por causa de uma hérnia. Então foi isso. É muito desagradável, né? É um acidente”, argumentou.

A morte de Adriana está sendo investigada na 77ª DP (Icaraí, Niterói). Geysa já prestou depoimento e não está presa.

A estudante de um curso de ténico de enfermagem foi presa dia 30 em Mesquita, na Baixada Fluminense. A polícia vinha investigando Mariana desde 8 de abril, quando Fátima morreu de choque séptico em decorrência do silicone industrial injetado.

Ainda segundo a denúncia, ao menos entre o fim de 2017 e março de 2018, Mariana exerceu a profissão de médica ilegalmente, sem registro profissional ou formação, aplicando silicone industrial em diversas pessoas, com o objetivo de obter lucro financeiro.

Mariana foi inidicada por homicídio doloso e exercício ilegal da medicina. O Conselho de Enfermagem do Rio informou que Mariana não é técnica de enfermagem nem tem inscrição na entidade.

Fátima reclamou que seu bumbum ficou deformado. “Mariana, eu não sei se eu estou vendo errado. Eu posso estar vendo errado, lógico, mas parece que tem um lado que ficou mais cheio que o outro”, disse a cliente.

A técnica confirma que aplicou mais PMMA em um dos lados: “Um lado da nossa bunda é sempre maior do que o outro lado, entendeu? Isso aí é normal. O teu lado direito estava realmente menor. Foi o lado que eu enchi mais”, afirmou.

Depois, a técnica em enfermagem dá orientações para a paciente sobre como sentar, após o procedimento. “Não senta com a bunda toda assim não, senta só na pontinha. E se você sair de moto, empina bem a bunda, entendeu?”, diz a técnica.

Em outro caso ligado a procedimentos estéticos ilegais, Policiais da Delegacia do Consumidor (Decon) apreenderam no dia 1º cerca de 200 caixas de metacril (polimetilmetacrilato, também conhecido pela sigla PMMA), silicone industrial e anestésico em um salão de beleza em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A dona do salão, Fernanda Silva de Almeida, foi presa e pode ser transferida ainda nesta quarta para um presídio.

Fernanda era conhecida nas redes sociais como “Doutora Enfermeira”. Fernanda Silva de Almeida, de 39 anos, já tinha cinco anotações criminais, segundo informações da polícia. Em 2014, ela foi autuada no crime contra ordem tributária, por portar produtos fora da validade. Em 2016, respondeu uma investigação sobre injúria. Por fim, em 2017 ela respondeu por exercício ilegal da medicina, ameaça e novamente por portar produtos fora da validade.

Ela disse em depoimento que trabalha no Hospital Federal dos Servidores do Estado, no Centro, como auxiliar de enfermagem. Mas em seu salão de beleza, foram encontrados equipamentos cirúrgicos do Hospital Municipal Pedro II, na Zona Oeste. A Decon irá investigar como ela teve acesso a esse material.

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