A saltadora russa Yelena Isinbayeva tem se posicionado de forma veemente sobre a suspensão do atletismo do país nos Jogos Olímpicos do Rio, mas foi criticada por jornalistas noRedação SporTV desta quinta-feira. Para Sérgio Xavier Filho e Tim Vickery, a atleta é “babaca” pelas declarações que tem dado sobre o assunto, atuando de forma “nacionalista”. A bicampeã olímpica no salto com vara criticou a decisão da Corte Arbitral do Esporte (CAS) de manter a suspensão da modalidade e, em tom de deboche, atacou os rivais dos russos na modalidade

Através de um comunicado oficial, a CAS anunciou nesta manhã seu veto ao pedido do Comitê Olímpico do país (ROC) para permitir a participação de 68 nomes, entre eles o da bicampeã olímpica Yelena Isinbayeva, nas mais diversas provas da modalidade. O parágrafo que abre a nota fala em “atletas inelegíveis”. Contudo, a Corte não tem o poder de proibir a participação dos mesmos como independentes. Essa decisão é de responsabilidade do Comitê Olímpico Internacional (COI), que vai decidir até o fim desta semana a proibição ou não de toda a delegação da Rússia na Olimpíada.

– Acho que ela é uma babaca quando toma posições nacionalistas. Foi assim com o preconceito (em Sochi), que comprova que o nacionalismo faz qualquer um idiota. Normalmente não trabalho com esporte olímpico, por isso fiz uma pesquisa rápida e fiquei pasmado como a história do atletismo é manchada. Não sabia que o Carl Lewis, herói dos Jogos de 88, que acabou ganhando medalha de ouro quando Ben Johnson foi flagrado nos 100m, testou positivo três vezes antes da Olimpíada, e isso foi escondido junto com centenas de atletas dos EUA também. Tudo isso me faz gostar mais de futebol. Obviamente o doping existe dentro do futebol, mas não é um desempenho, o doping te dá uma estrutura atlética para mostrar técnica e poder de decisões, então não tem uma droga no futebol que vá ter o mesmo efeito. O que a Rússia fez agora com o governo atinge um nível mais alto que qualquer outro antes. As coisas que aconteceram na história do atletismo são uma vergonha – disse Tim Vickery, jornalista da BBC no Brasil.

Carlos Eduardo Éboli, da Rádio CBN-Rio, enfatizou que a punição precisar ser dura, ainda que inclua a suspensão de atletas que nunca foram flagrados, como a própria Isinbayeva. Ele ainda citou a existência de um pano de fundo político, já que os Estados Unidos têm se posicionado sempre quanto ao assunto.

Uma coisa que sempre chama a atenção é que quase todos os veículos ilustram a reportagem com uma foto da Isinbayeva, que nunca teve nenhuma acusação (de doping). E é a atleta que mais vem se pronunciando a respeito disso, se considerando injustiçada. Disse que é uma morte do atletismo, que estão enterrando o atletismo com essa decisão. Penso um pouco diferente. Lamento demais a ausência da Isinbayeva e de tantos outros atletas que estão limpos, que não tiveram envolvimento com esse esquema, mas por ser algo sistêmico, algo tão grandioso, que envolve o governo, que envolve outras modalidades, é preciso passar a vassoura. Não tem jeito, tem que apelar para a punição exemplar, para que inclusive os atletas limpos pressionem todo esse sistema de corrupção a não praticar essa atitude que burla a lei. Você provoca uma pressão interna no país que é fundamental para a mudança de cenário. Mas lamento demais, é muito triste você ver atletas que não têm envolvimento não poderem participar do maior evento esportivo da Terra. Mas é o jeito, infelizmente (…). É muito difícil a gente fazer uma análise, uma vez que tem um pano de fundo político muito forte. Vejo um resgate de guerra fria nesse episódio da Rússia, tamanho o envolvimento dos EUA em fazer parte desse processo. Concordo com o que disse o Tim (Vickery), é muito difícil você fazer uma análise perfeita do que está acontecendo. Esse contexto é muito mais complexo do que a gente pensa – concluiu.

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